ENTREVISTA COM R. C. ZÍMMERL'
SOBRE O FINAL DA SAGA HIPÉRION

Olá, Chegamos ao fim da Saga Original da Hipérion. E agora? Haverá continuidade? Outros livros em outros gêneros? Colocamos neste formato de entrevista algumas perguntas recebidas e esclarecimentos a todos os fãs da saga e demais pessoas que se interessem em saber mais sobre o trabalho de R. C. Zímmerl.

Boa leitura, agradeço por estar aqui.


Primeira e mais premente questão, haverá continuidade?

Essa foi a pergunta que mais ouvi assim que teminado o último volume de todos os leitores com quem conversei. Se você observar, em cada volume há um mote que conduz ao volume seguinte e isso não deixa de existir no volume final.

Então as suspeitas de um quinto volume estar no projeto são reais?

Sim e não. Primeiro é preciso esclarecer que sempre que me refiro à saga Hipérion digo Saga Original. Por quê? Por que é a saga que dá origem à nave. Entendeu? Ou seja, essa saga em quatro episódios acabou, e acabou no quarto volume. Ao lê-lo o leitor entenderá que há espaço para novas séries de histórias sobre o universo que a saga original construiu. Um quinto episódio, um ponto de ligação entre esta saga e a seguinte, existe, evidentemente, mas será escrito quando retomar essa série. Por enquanto sem previsão de data.

Então a Hipérion seria uma série base para outras?

Exatamente! A história não se encerra com o fim da nave. É possível criar novas histórias a partir daí. De fato há todo um planejamento para eventuais continuações, basicamente há três outras sagas ideadas.

Há previsão de lançamento delas?

Não, absolutamente! Como disse, são ideias, por enquanto. Tenho outros projetos em vista antes de poder voltar a me dedicar às novas sagas em continuação à Hipérion. O importante é que ela pavimentou o caminho que dará origem às demais e estas virão no momento oportuno.

Há fim?

Na verdade não. Pois se podem desenvolver inúmeras novas tramas. O limite é a imaginação.

E quanto à Hipérion, ela foi destruída?

Como diria Sunderman: "Hehe". É melhor ler o livro. Aliás há uma dica do Sunderman no segundo episódio da saga a esse respeito.

Quais são seu projetos imediatos uma vez finalizada a saga original?

Tenho dois filhos pequenos. Isso, obviamente, me faz pensar em escrever algumas histórias infantis exercitando a escrita e a ilustração, pois sou desenhista. Tenho o projeto de um livro de romance o qual está sendo muito cobrado, além de livros técnicos. Ou seja, tenho várias demandas, estou procurando arrumar tempo para atendê-las.
Outro dos meus projetos, de uma obra literária de monta, tem pipocado minha mente. Escrever um texto clássico, digno de nota, é algo que qualquer bom escritor almeja. Difícil é decidir o que fazer primeiro.

E possível se sair bem em outras áreas da escrita além do gênero ficção?

Há autores que se especializam numa temática e nada há de errado nisso, entretanto sou eclético. Desde jovem escrevi muitos contos, a maioria de terror. Escrevi comédia e romance, também. Aventura e ficção a Hipérion foi a primeira e única, até agora, a tomar corpo de livro. Meus projetos são amplos em vários estilos. O que diferencia meu trabalho é sua originalidade. A ideia de fazer mais do mesmo me causa aversão.

O que pretende com seus livros?

Numa palavra: entreter. Porém, além do entretenimento, um livro deve trazer coisas novas, elementos novos para que o leitor pense. Não sou revolucionário, absolutamente, mas creio que a leitura possui algo mágico e que deve acrescentar ao leitor, fazer com que este seja diferente ou pense diferente após a leitura, ou seja, o ajude a crescer, seja concordando, discordando ou simplesmente refletindo, se emocionando. Esse é o tempero.

O que você acha dos livros que ensinam a escrever livro?

A melhor forma de aprender a escrever é lendo. Leia muito, tente escrever, até encontrar seu estilo. Aí aprimore-o até que se sinta bom o suficiente. A pasteurização da escrita promovida por esses livros é daninha. Arte é a expressão do artista, pasteurizada não é nada, é lixo, item de consumo descartável. O ideal é que o escritor encontre sua forma e estilo, escreva da forma como aprecia, da forma que sinta refletir na obra seu pensamento. Isto sendo obtido, tanto faz o que outros pensem ou achem. Acima de tudo o escritor deve escrever para si, assim se torna acessível aos demais. Quando alguém escreve aos demais seguindo "receitas de bolo" acaba por não dizer nada nem de si nem dos outros, fica um texto ruim. Comercial, somente. Deixa de ser arte, literatura. Ler é essencial para se tornar bom escritor, é a melhor dica que posso dar. Mas não leia qualquer coisa, leia clássicos. Essas obras não se tornaram clássicas à toa. Beba na melhor fonte, não se contente com a mediocridade.
E leia também o que é sucesso. Tente entender por que os livros mais exitosos em vendas o foram para saber o que o público espera. Escrever é comunicar-se, se seu público espera ler X mas você escreve Y haverá falta de sintonia e, provavelmente, problema nas vendas. Mas, é claro, se é o Y que reflete o que deseja passar, então que seja! Uma autêntica obra literária deve refletir principalmente o que o autor anseia em passar, toda e qualquer mutilação em favor da comercialidade deve ser muito bem pensada e pesada. Não há nada errado em ajustes e adaptações desde que a essência da obra seja mantida.

Além da AGBook há alguma editora que tenha feito proposta para publicação dos livros?

Boa proposta não e realmente nem tive tempo de correr atrás disso. O mercado editorial é complexo e demanda trabalho por parte do autor, é preciso dedicação. Minha preocupação inicial foi concluir a saga, isto está feito, a partir de agora posso dedicar algum tempo a essa outra tarefa, também.
As propostas que recebi são de editoras que cobram o autor pela impressão/publicação. Esse tipo de proposta não me interessa. Os leitores podem ter acesso a meus livros via AGBook, embora, é claro, como qualquer autor, também sonho em vê-los expostos em vitrines de livrarias. Isso terá seu tempo para chegar, creio.

Como você encara a presença do autor em sites de redes social, isso é importante para divulgação da própria obra?

Certamente é! As redes sociais constituem-se um ponto de fácil exposição do trabalho, ao menos ao círculo mais íntimo de amigos e conhecidos do autor, e abre as portas para que seus leitores e fãs entrem em contato para externarem opiniões, críticas e elogios. Esse tipo de interação franqueada pela a tecnologia atual é formidável, embora cobre o preço do tempo que, em meu caso, é escasso. O que procuro fazer, na medida do possível, é responder aos emails que recebo. E meus canais pessoais do Skoob e Facebook estão disponíveis para qualquer um que queira entrar em contato por esses meios. E são de interações assim que nascem estes textos de "entrevista", pois a maioria das pessoas tem as mesmas dúvidas, mesmos questionamentos e curiosidades, daí é fácil condensá-los num texto e responder a todos igualmente, otimizando o tempo do leitor e o meu.

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