ENTREVISTA COM R. C. ZÍMMERL'
SOBRE A SAGA HIPÉRION

Olá, É um prazer para mim estar aqui contigo falando sobre os livros da saga Hipérion. Se os leu e gostou provavelmente esta entrevista tornará mais rica e completa sua experiência com a intrépida trupe que nos brindou com viagens memoráveis pelos horizontes intangíveis do tempo, espaço e diversão. Se ainda não leu, espero que esta lhe desperte a curiosidade de se aventurar em uma história repleta de adrenalina, emoções, confusões e perigos jamais imaginados, sob a narração de um astuto porém frustrado vilão, entre reviravoltas surpreendentes e improvisos mirabolantes.

Boa leitura, agradeço por estar aqui.


Como surgiu a saga Hipérion?

A idéia, o conceito da história surgiu quando era garoto e fazia pesquisas, experimentos, principalmente em eletrônica e me interessava muito sobre assuntos afeitos à astronomia, tecnologia, biologia, física e, obviamente, extraterrestres. Inicialmente a imaginei como uma Graphic novel bem humorada, entretando, sem ter onde publicar e desconhecendo por completo o mercado editorial (eu tinha 15 anos a época), protelei a história para quando fosse conveniente e possível produzí-la e publicá-la.

Por que houve a mudança no formato de HQ para livro?

A principal razão é o tempo de produção. Uma HQ bem feita demora e a história é longa. A saga precisou ser desmembrada em 4 partes para caber convenientemente em livros, e as histórias são ligeiras, sem perda de tempo com "encheção de liguiça", feito se diz. Ainda assim, são cerca de mil páginas ao todo. No formato HQ a história acabaria, dependendo do formato da página, supondo A4, com, talvez, 3.000 páginas, para deixá-la completa. Ou se perde na história ou se perde no formato. Preferí manter a íntegra da história com o formato livro.

Por que ser o vilão quem narra a história?

Normalmente o vilão é o personagem mais "legal" das histórias, entretanto o foco fica sempre no herói. Resolvi inovar, sair da mesmice, e focar a narrativa sob a perspectiva única do vilão. Entretanto Sunderman não é o vilão caricato e estereotipado que encontramos em livros do gênero. Sua personalidade é bem verossímil. Sua história, reações, pensamentos fazem eco no de várias pessoas que lêem a história. Muita gente me diz que torce para ele e que não o acha "tão" vilão assim, mas, na verdade, se avaliarmos suas ações e não as razões que dá a elas, vemos que se trata de um sujeito atormentado, um criminoso típico que se auto ilude. Essa perspectiva rendeu bons debates com alguns leitores.

Como assim?

Tem gente que fica fã do Dr. Sunderman e quando peço para que reparem nos crimes que ele comete vão logo tentando justificar. Isso é engraçado para mim, enquanto autor: ver um leitor querendo fazer a defesa de um personagem ficcional que criei.

Os personagens são totalmente ficcionais?

A bem da verdade não. O Edgar se trata de um amigo meu de longa data. Bianca e Jéssica foram baseadas em mulheres que conheci. Algumas das peraltices que Bia faz realmente as musas que a inspiraram fizeram, apenas as imortalizei nos livros. Román, o capitão, é uma homenagem ao meu avô paterno, o qual só conheci por histórias contadas por meu pai, aliás, Percival, o engenheiro da base, representa meu pai.

E a história é totalmente ficcional?

Hehe. Isso não posso responder de fato. O que posso dizer que alguns dos GEATECS foram feitos e é por isso que as partes técnicas são afirmações, não conjecturas. Gosto de responder a emails que recebo de leitores que leram em meus livros coisas que posteriormente são anunciadas pela ciência como "recém descobertas". Aí me perguntam, como é que eu sabia? E minha resposta é: "sabendo!" .

Se refere aos planetas errantes?

Esse é um dos casos. Até pouco tempo era considerado impossível um planeta que vagasse a esmo sem orbitar estrela alguma, entretanto eu afirmava, e em 1986, que não somente existiam bem como descrevi como são. O primeiro livro da saga, com estas descrições foi publicado em 2009, em 2011 tivemos a notícia da descoberta dos primeiros planetas extrassolares que não orbiam estrela alguma.

E quanto aos óculos PDA?

Os óculos assistentes pessoais digitais (daí o PDA - Personal Digital Assistant) são uma tecnologia que, imagino, dominará o mercado em alguns anos, quando o hardware permitir sua confecção.

Os óculos de expansão da realidade do Google são um primórdio?

Sempre perguntam isso. Na verdade não. A idéia de um monóculo de realidade expandida está presente no filme Final Fantasy, usado pela Drª Aki Ross para procurar a planta, ou o visor-óculos do coruja, do Watchmen. Os óculos PDA do Sunderman são algo mais prático, de consumo popular, pois agrupa função de computador virtual, permitindo manipular arquivos, ver, gerar e editar documentos, material multimídia, pela captura dos movimentos das mãos em um cenário virtual, uso de navegação, com mapas e imagens, reconhecimento facial, telefone celular, central de entretenimento com música e filmes exibidos em total campo de visão e até 360°, videogames, realidade expandida com o uso de dicionários ou conexão a rede para pesquisa de preços, detalhes de hotéis, restaurantes, filmagem, função de visão em baixa luminosidade, infravermelho, zoom, enfim, é um assistente digital pessoal com todas as facilidades que alguém pode desejar e que não fica ocupando as mãos nem fica restrito a uma telinha minúscula como a dos smartfones.

Quando óculos como os de Sunderman estarão no mercado?

As tecnologias que permitiriam fazê-lo existem hoje, mas o hardware atual é primitivo demais, não daria conta ter todos os recursos em um formato compacto de óculos. Imagino que em vinte ou trinta anos eles serão o sonho de consumo de todo mundo e estarão em qualquer loja de artigos eletrônicos.

E outras tecnologias como a das bombas H-MAG?

Isso dá chabu! As tecnologias, como disse, são afirmações. Qualquer um pode pesquisar e testar por sua própria conta e risco, por isso procuro descrevê-las bem, mas, é evidente, que se as tivesse feito não poderia afimar isso, me meteria em uma encrenca danada.

Descrever uma tecnologia tão perigosa quanto a das H-MAG não pode levar algum leitor a querer "testar"?

Ora, qualquer um pode fazer uma bomba caseira. Quem quer fazer coisa errada, se pesquisar um pouco, acha um monte de modos de fazer o que pretende. O elemento essencial de uma H-MAG "boa mesmo", o deuterídio de lítio, não é fácil de obter mas é fácil de ser controlado, então o risco é baixo. Outros elementos diminuiriam muito a potência da detonação. Uma H-MAG que use só hidrogênio, a mais simples, não seria mais forte que uns poucos quilos de dinamite, aí, dada a complexidade da bomba, seu custo e sua efetividade, valeria mais a pena usar explosivo convencional. O maior risco está em governos a construirem, tendo em vista prescindirem de materiais físseis, tornando-se, portanto, mais simples e baratas de serem produzidas. Mas, aí, é um problema militar. Seria equivalente a ter descoberto a pólvora e não dizer nada com medo que alguém viesse a usá-la. Se não usarem pólvora usarão flechas e catapultas. Em termos militares nada impede o uso da tecnologia, quero dizer, revelando-a ou não, cedo ou tarde a construirão e, cedo ou tarde, teremos que lidar com isso do mesmo modo.

E a nave transdimensional?

O segredo para fazer uma está bem guardado! Hehe. Qualquer coisa tem o Dr. Sunderman para proteger.

Quiz dizer, ela pode ter as armas todas e na potência que é revelada?

Quem entende de eletrônica percebe claramente que nada está acima de fenômenos corriqueiros. As equações que definem potências e grandezas relativas aos armamentos eletro-magnéticos, incluindo o escudo, são triviais e podem ser encontradas até em livros de ensino médio. A questão talvez seja: funcionariam como descrito? Aquilo que decrevo na história é real? Minha resposta é: o tempo há de responder. Ao expor as tecnologias, possivelmente, farei com que pesquisadores, com bons recursos financeiros, as esmiúcem e, quem sabe, logo criem sondas e naves transdimensionais. É possível? Sim é. É desejável? Cada qual deve ter sua própria opinião. Como instrumento de pesquisa seria maravilhoso, mas, nos livros, é dado o alerta: como instrumento militar seria terrível.

Como se explica de forma simples o que é viagem transdimensional?

Essa é uma pergunta que sempre me fazem. Imagine uma lanterna ligada que ilumine uma parede no escuro a uns três metros de distância. O foco da lanterna é o campo formador, ou seja, onde a luz está se formando e que forma, por conseguinte, o feixe que incide sobre a parede. Deslocar uma nave pela transdimensão é como levar um objeto do foco da lanterna até a parede iluminada. Quando o objeto está no foco sua sombra fica ampla e difusa. Conforme se aproxima da parede vai diminuindo e ficando mais nítida. É análogo ao deslocamento transdimensional. A imagem projetada do objeto, ou, nesse exemplo, sua sombra, pode mover-se em velocidade vertiginosa, quando apontamos a lanterna para diversas direções, sem que, no entanto, o objeto sofra qualquer coisa com esse deslocamento.

Esse deslocamento se dá por um buraco de verme, ou ponte Einstein-Rosen?

Não tem nada a ver! Os buracos de verme de Schwarzschild baseiam-se em intrepretações diferentes e, ao meu ver, equivocadas. A teoria transdimensional e o subespaço explicam eloquentemente grandes enigmas da física que o universo relativístico-quântico são incapazes de explicar. Não me arvoro, com isso, em dono da verdade, mas o que é explicado nos livros está aí à disposição de qualquer um que queira estudar e comprovar.

Qual é a nacionalidade do Dr. Sunderman?

Para um bom entendedor meia palavra basta. As pessoas são inteligentes o bastante para perceber qual ela é sem que eu precise revelar explicitamente.

Por que você acredita que os OVNIS são, de fato, naves transdimensionais?

Elementar, meu caro leitor, por conta das leis da física. Conforme os OVNIs são descritos, pode se perceber duas coisas básicas: primeiro, a propulsão deles não se baseia um foguetes nem nas fantasiosas ondas antigravitacionais. Por quê? Ora, se usassem foguetes não teriam como viajar pelas imensas distâncias cósmicas. A propulsão por jato nunca é superior à velocidade de escape do próprio jato pela tubeira, além do que, mesmo quando consideramos propulsão nuclear, iônica ou até fotônica, o limite de aceleração seria inferior à velocidade da luz e isso é insignificante para vencer de forma prática as distâncias cósmicas. Quanto às ondas antigravitacionais, ou gravitacionais, isso é bobagem. A gravidade não é uma força, é uma propriedade do ser material (leia meus livros e entenderá), por conseguinte não se pode fazer uma antigravidade, tampouco é possível criar ondas gravitacionais e, ainda que isso fosse exequível, a idéia da curvatura espaço-tempo pela gravidade está equivocada e em nada beneficiaria um suposto viajante (novamente veja em meus livros).
Segundo: Existe a inércia! Um corpo biológico, pode estar imerso em água, areia, gel, carbonite, em câmara de extasis, o que for, continuará a responder à aceleração do meio. OVNIs fazem manobras extremas, por exemplo, estar num curso em mach 5 e, num instante, virar num ângulo de 90 graus e partir em mach 20. A maioria dos materiais, inclusive biológicos, sujeitada a tamanha força G (superior a 30 nesse exemplo) se deformaria a ponto de ser destruída. Logo, é óbvio, os OVNIS não estão sujeitos às condições do ambiente que estão explorando, tem que estar transdimensionais ou interdimensionais, assim o que vemos é sua projeção ou campo formado. Essa projeção flui pelo meio, porém o objeto no interior, conforme seu deslocamento no vórtice, sujeita-se ao campo formador (de sua base). Se é uma nave transdimensional sua propulsão deve ser magnética, o que coaduna com as descrições que são feitas por aqueles que dizem ter tido contato com eles: baterias descarregam, búlsolas ficam loucas, etc. E a propulsão descrita para a nave Hipérion é totalmente capaz de realizar as manobras dignas dos mais "ágil" OVNI.

Por que a inércia destruiria um organismo num hipotético tubo de extasis?

A idéia de suspensão biológica para proteção em voos espaciais num tubo cheio de fluido é bonita em filmes de ficção, entretanto o problema está no fato que os tecidos de nosso corpo possuem densidades diferentes. Por exemplo: se houver uma súbita aceleração de 20G, mesmo que estejamos em um tanque de cortiça, que dissipa muito bem a energia de cargas dinâmicas, o cérebro, que é gelatinoso, ficaria comprimido em oposição ao vetor da aceleração, seria esmagado por seu próprio peso, rompendo vasos sanguíneos e causando a morte. Isso é física básica contra a qual, infelizmente, nada se pode fazer.

Você "malha" muito Einstein em seus livros; de onde tira tanta ousadia?

Einstein foi um grande físico e uma das maiores mentes da humanidade, não há dúvidas, e ele mesmo sabia, intuia, que sua teoria geral da relatividade estava incompleta, tanto que perseguia o que chamou de "teoria do campo unificado", visando incorporar a mecânica quântica e as forças elementares incluindo a gravidade numa teoria só. Infelizmente ele viveu no início do século passado e o conhecimento disponível era limitado. Muito do que falo nos livros é amplamente sabido e diversos cientistas concordam com um ou outro ponto, entretanto poucos ousam falar contra dogmas estabelecidos e defendidos com unhas e dentes a décadas. Não obstante, os que insistem em manter e embasar-se na arcaica relatividade e em outros preceitos mais obtusos, perdem-se ante as novas descobertas da física, da astronomia que ficam sem explicação (o entrelaçamento quântico, por exemplo). Ao invés de botar esses velhos paradigmas, que foram geniais a seu tempo, de lado, como aliás, fez o próprio Einstein, e pensar em modelos novos, insistem em corroborá-los usando artimanhas matemáticas cada vez mais estranhas e absurdas.
Essa estultície para mim é irrelevante! Não sou paladino do bom-senso nem um demolidor do status-quo, apenas mostro ao leitor as falhas e erros e o deixo discernir por si mesmo. Se achar que estou errado, que seja, e se concordar comigo de que isso mudaria a realidade? Estando eu certo ou errado a realidade não se sujeita à opnião de quem quer que seja. Destarte, o que revelo é um modo diferente de entendê-la, esmiuçando os mistérios da física e procuro fazê-lo de forma simples, para que seja facilmente compreensível ao leitor que está livre para concordar ou discordar, aceitar ou rejeitar. Mas àqueles que aceitem e concordem, mostro o caminho através do qual podem obter um conhecimento sobre si mesmos, o universo e muito além, maior e mais completo e deixo a porta aberta para que o leitor siga por esta jornada, se desejar.

Você considera sua teoria transdimensional como a "verdadeira" definição da realidade?

É possível, porém não tenho tal pretensão. Minha teoria respondeu ao meu desejo de entender o mundo que me cerca, a realidade. Ao expô-la anseio que o leitor, com seu crivo, a julgue por si mesmo. Embora as histórias tenham sido escritas para diversão, penso que um livro deve fazer muito mais que "divertir", deve fazer o leitor "refletir", acrescentar novas idéias, expandir horizontes. A literatura nacional é repleta de histórias fracas, personagens xinfrins, puerís até. Quiz dar ao leitor um texto moderno, ágil e robusto, que o entretenha e, para o mais exigente, permita analisar a realidade à volta, trazendo idéias novas e relembrando conceitos importantes de modo a manter os pés no chão enquanto a mente vaga nas estrelas.

Há algum propósito doutrinário nos livros?

Como citei anteriormente, os livros têm, unicamente, o escopo de entreter, de divertir o leitor, contudo sem ser trivial ou fútil. Abordo temas existenciais, científicos, afinal é uma história de ficção científica, mas procuro que haja sempre embates de idéias opostas para não ter o viés de doutrinamento. Claro que as opiniões do Dr. Sunderman, o narrador, têm mais ênfase, o que não quer dizer que eu mesmo concorde com elas.

Há algum personagem que o represente na saga?

Meu avatar? Tem sim. E quero deixar bem claro: não é o Dr. Sunderman.

E qual seria ele?

Isso é fácil de descobrir, mas é outra pequena charada que deixo para o leitor.

Há muitas charadas na história?

Nada que atrapalhe a leitura e o entendimento, no entanto acho aviltante histórias que não deixem o leitor pensar, como se ele fosse um ser debilóide e infantil. Há autores que descrevem pormenorizadamente tudo e não dão margem à interpretação e entendimento do leitor, dizem tudo, até o que você deve concluir. Prefiro que o leitor faça seu próprio juízo das coisas e destaco isso com as pequenas charadas, como essa que foi perguntada, de qual a nacionalidade do Dr. Sunderman. Ela é óbvia, não preciso ser tácito, explícito, meu leitor não é bobo nem debilóide, ao contrário, quem lê minhas histórias e gosta prova, com isso, que se interessa por textos inteligentes e histórias complexas, com conteúdo. Quem não gosta de pensar e quer ler livros "com figurinhas" em que o autor te guia em tudo que leia esses outros autores.

E quais seriam?

Hehe. Meu leitor sabe quais são.

Você faz pesquisa para escrever as histórias?

Sim! Há leitores com muito conhecimento técnico. De repente escrevo algo sobre um tema que é especialidade de um leitor. Se escrever bobagem caio em descrédito. O leitor merece que eu tenha cuidado em procurar não só escrever e desenvolver bem a história, mas que, no que tange à informação, que seja correta e precisa.

Você classifica seus leitores como nerds e geeks?

Absolutamente não! Uma ex chefe minha que nem "curte" ficção adorou as histórias, até recomendou a leitura à mãe, uma senhora com noventa anos e ao marido. Os fez ler de tão "legal" que achou. Grande parte das pessoas que conheço, e que leram os livros, não gostam de ficção científica. Quem gosta se deleita, sempre tenho que enfrentar enormes baterias de perguntas da parte dos fãs de ficção, enquanto os que não gostam, apreciaram as histórias por sua dinâmica, seus conflitos. A ficção é só um pano de fundo, de fato. A ambientação, o palco no qual a história se desenvolve e evolui. A trama mesmo envolve ação, conspiração (embasada em fatos reais), espionagem, aventura, romance, suspense e amizade. Elementos que agradam praticamente a todos os leitores. Aí o que ocorre é que, ao invés de ser alguma coisa ocorrendo numa grande cidade, num escritório, por exemplo, ocorre em um projeto de pesquisa.

O que quer dizer com conspiração "embasada em fatos reais"?

É preciso ler os livros para saber . Quem entende um pouco sobre o assunto saberá do que falo, quem não entende, poderá pesquisar um pouco que facilmente descobrirá coisas que o deixarão estarrecido. Nossa realidade é muito mais complexa do que a TV mostra. Se quer conhecer melhor as forças que movem nosso mundo, recomendo a leitura.

Houve alguma influência de outros autores, livros ou filmes de ficção na saga?

Particularmente gosto muito do trabalho de Júlio Verne, em especial do "20.000 léguas submarinas", mas, creio, isso exerce pouca influência no meu texto. A narrativa sobre a Hipérion e o que nela ocorre procura ser fidedigna, ou seja, procuro expor apenas o que, de fato "pode" acontecer a uma nave transdimensional. Se qualquer coisa remeter a algo que possa ter sido exposto em qualquer outro trabalho, será por mera coincidência. Voltando ao livro de Júlio Verne, quando ele cita o Nautilus e o descreve, movido a um reator nuclear, isso sequer era cogitável na época em que escreveu (1869), no entanto tornou-se realidade quase um século depois (1952). Espero que a Hipérion não demore tanto tempo assim para tornar-se realidade.

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