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ECOIDIOTIA        
REZANDO PARA O SANTO ERRADO.
[Escrito em 18/02/14]


      Vira e mexe somos bombardeados por notícias de grupos ambientalistas, ONGs, manifestações pelos direitos dos animais, indígenas e congêneres defendendo as mais diversas causas, muitas vezes com ações agressivas nada civilizadas (para não dizer burras e criminosas). Pois bem, neste artigo quero te levar a refletir sobre o outro lado dessa controvérsia, tirando o fanatismo inútil e a ignorância desmedida, vamos ver o que é sério, e o que não é, nessas causas louváveis para poder tomar partido com mais correção.

      Desde que os homens vivem em sociedade há criminosos, gente que procura tirar vantagem dos outros "roubar" ao invés de trabalhar, coisas do tipo. Conforme as atividades humanas se diversificaram, os criminosos também o fizeram. Hoje há criminosos mais sofisticados e inteligentes que não mais usam arma de fogo para tirar seu dinheiro, uns usam a Bíblia, os direitos humanos e as causas ambientais para esse fim. Normalmente vigaristas e pilantras se irritam bastante quando mostramos isso, mas não importa, vamos juntos refletir sobre os novos nichos de atuação dos criminosos que escapam, impunes, às leis e, ainda, querem ser vistos como heróis.

      Antes de mais nada, quem me conhece sabe que sou um ferrenho defensor da natureza, um "ecologista", por assim dizer, de "carteirinha". Mas não sou ignorante, picareta, nem apoio campanhas idiotas que, muitas vezes, objetivam somente fazer barulho para arrecadar fundos que desaparecem sabe lá onde sem ajudar em nada.

      Começaremos nossa reflexão lembrando dos cães beagles roubados em outubro de 2013 por vândalos do Instituto Royal para serem vendidos na internet e em pet-shops por aí por até R$ 2.700, enquanto outros simplesmente foram abandonados na rua, em flagrante desrespeito aos animais. Um bom exemplo de criminosos que descobriram um novo nicho de atuação, mascarados com uma máscara mais "polida", entretanto que não passam de criminosos safados que deviam ir sim para a cadeia! Vou explicar por que.


      Trabalhei um tempo num Comitê de Ética em Pesquisa em um hospital de São Paulo, portanto não sou leigo em pesquisas médicas. Há etapas no desenvolvimento de medicações que implicam em testes em organismos vivos para conhecer os efeitos reais das drogas no metabolismo e não existe outro modo de saber exceto testando, e fazer isso em seres humanos é perigoso, muito perigoso e os cientistas se postam contra o uso de humanos como cobaias sem a mínima segurança contra adversidades patológicas ou metabólicas. Obviamente poderíamos usar criminosos condenados ao invés de animais (seria um fim mais digno que a pena de morte), todavia os que defendem os assim chamados "direitos humanos" se oporiam. Então resta o uso dos pobres bichinhos.

      Ai o pelo de muita gente eriça: fazer pesquisas em animais para salvar a vida de crianças, idosos, doentes, a sua, a minha vida, não! Isso é errado, segundo eles. Segundo esses hipócritas! HIPÓCRITAS! Isso sim, por que se tiverem uma dor de barriga, uma infecção qualquer, um câncer, vão correndo tomar remédios que só estão no mercado após os testes de praxe em animais. São um bando de mal caráteres por que se detém no patético apego aos felpudos animais deixando pra lá o sofrimento e a dor das pessoas vitimadas pelas moléstias. Ou será que a vida da mãe ou do pai dessas pessoas, ou de seus filhos, vale menos que a vida de um cão?

      Tem quem diga que não se pode comparar, e não se pode mesmo. A questão é que para termos segurança nos remédios precisamos de testes em outros seres vivos de fisiologia comparável. Será que queremos remédios seguros? Será que essa segurança vale o sacrifício desses animais? Vai ter quem ache que sim e quem ache que não, ou seja, vai do foro íntimo de cada um. Talvez possamos aceitar uma margem maior de risco para poupar a vida dos cães, todavia isso é uma decisão coletiva. Uma pessoa, ou um grupo, não pode impor sua vontade aos demais ou vamos reviver o Nazismo! Pois foi uma atitude Nazista a que foi tomada por aqueles pilantras.
      Mas é óbvio que uma pessoa inteligente diante de uma notícia qualquer veiculada na mídia ou de uma ação orquestrada como essa invasão pensa primeiramente: quem é que se beneficia com isso?
      A supressão dessa etapa de testes que é caríssima e demorada traria proveito à quem?

      Ora, se não tivermos mais os testes em cães os medicamentos poderão ser colocados em comercialização mais rapidamente e o custo de seu desenvolvimento diminuirá!
      Ah! Concluirá você: então para a indústria farmacêutica e cosmética isso seria ótimo!
      Exatamente! Contudo para nós, consumidores, seria terrível por que uma das etapas de avaliação de danos e efeitos colaterais será eliminada. Perdemos nós, ganham eles. Bacana, não é?
      Então será que esses "amigos dos beagles alheios" não foram é amigos da indústria farmacêutica do tio Sam?
      Você percebe o nível de manipulação e farsa desse tipo de ação?

      Querer proibir, pura e simplesmente, uma pesquisa que visa beneficiar aos usuários incluindo eles, que se beneficiam de remédios, cosméticos e diversos outros produtos que foram submetidos a testes em animais não faz sentido, exceto se você for da indústria farmacêutica. Sem referências e estudos prévios controlados fica mais fácil mascarar eventuais efeitos colaterais, lesar o consumidor sem que este possa se defender. Afinal, para sua defesa em caso de indenização por dano qual será o argumento se não houveram estudos que pudessem embasar a relação causal para a queixa?

      Há gente para quem o problema não é a pesquisa em si e sim o uso dos cães por conta da afinidade que tem com essa espécie de animal. Para quem teve ou tem um cachorro de estimação é difícil imaginá-lo sendo cobaia de pesquisa, sendo tratado sem o carinho de um lar. Todavia isso é uma visão infantiloide. A docilidade e amizade que um cão devota ao dono vem de sua criação. Um animal criado em estado selvagem ou sem esse tipo de relacionamento não se comporta como nosso mascote doméstico, embora a questão comportamental não seja o que conta neste caso e sim a fisiologia. Os cães, especificamente os Beagles, tem uma resposta fisiológica similar à dos humanos, por isso seu emprego. É uma lástima, um "azar", certamente, para essa raça canina. Seria estupendo se houvesse outro animal ou, melhor ainda, outro método que pudesse substituir os testes nos cães com a mesma eficácia, por que quem diz defendê-los não será voluntário para ficar em seu lugar e, mesmo que dissesse que seria, isso se daria por pura demagogia por que sabe que a indústria farmacêutica tem que seguir rigorosos protocolos que impedem o teste de medicamentos em humanos sem a avaliação prévia nesses modelos animais.

      Claro que há os não tão hipócritas nem lacaios de uma indústria farmacêutica irresponsável, que defendem critérios para evitar abusos em pesquisas. Isso deve ser defendido é óbvio, que as pesquisas necessárias sejam feitas para o bem de todos, sem maltratar ou sacrificar inutilmente os bichos, porém isso é um paradigma adotado há tempos nessas pesquisas. Cada animal desses é criado sobre um oneroso e criterioso cuidado. Conforme a pesquisa que se desenvolve são precisos organismos criados livres de qualquer patogenia, por vezes criados em ambiente estéril desde a concepção. Em alguns casos a linhagem é rigorosamente controlada para se manter a resposta genética necessária ao estudo e à sua replicabilidade, outros são modificados geneticamente para fornecer respostas específicas, enfim, não são meros bichinhos achados na rua ou criados por um produtor qualquer. São organismos caros, de manutenção dispendiosa, por isso maltratá-los é uma ideia, no mínimo, estranha. Um animal desses sob estresse, fome ou contaminado invalida o resultado dos estudos! É tempo e dinheiro, muito dinheiro, jogado fora.

      Daí uma ação criminosa como a que houve, expondo animais especiais pode isso sim por a vida deles em risco. O que fizeram foi maltratar aqueles cães ao furtá-los, retirando de seu ambiente controlado e levando a um ambiente hostil, pouco higiênico e, em no mínimo três casos, abandonando-os nas ruas. A foto acima foi da terceira vítima, encontrada nas ruas de São Roque. A violência a que foram submetidos esses animais por esse grupo de vândalos pode causar traumas semelhantes ao que sofrem vítimas de estupro, para piorar não são seres racionais que possam entender o que lhes aconteceu e qual a intenção dos agressores.

      É evidente que os métodos de pesquisa podem ser aperfeiçoados e devem, igualmente, ser fiscalizados. O que não se pode permitir é dar voz a gente desarrazoada, hipócrita, criminosa, que rouba patrimônio alheio, vandaliza e maltrata cães em benefício próprio ou atendendo a interesses escusos de uma indústria estrangeira. Por que, veja bem, as pesquisas continuarão, mas não aqui. Medicamentos que desenvolvermos terá que ser testado em outros lugares onde poderão ser avaliados por pessoas que trabalhem para o benefício da concorrência estrangeira.

      Agora, mesmo que houvesse maus-tratos aos espécimes o que, dado os custos de criação dos animais e o objetivo pelo qual são criados, francamente é uma possibilidade ridícula, a questão seria caso de polícia a ser investigada por órgãos competentes. Um animal destinado a pesquisa deve gozar de perfeita saúde, não estar estressado e ter alimentação adequada do contrário o resultado das pesquisas é influenciado!

Olhando o óleo alheio.

      Em setembro de 2013 um grupo de pseudo-ambientalistas tentou escalar uma plataforma de petróleo russa no ártico pondo em risco a própria segurança, das operações e das pessoas que lá trabalham e foi preso, virando manchete nos jornais. Segundo esse pessoal a manobra visava alertar quando aos riscos da produção de petróleo no ártico e impedi-la. Pois bem, é fácil imputarmos o problema do aquecimento global e os perigos da exploração de petróleo a "vilões" situados em rincões distantes do globo, mais fácil que dizer que a plataforma está lá por que o barco que levou aquele grupo não o faria sem consumir combustível derivado de petróleo! Que quando esses "ambientalistas" viajam de um país a outro vão em aviões que precisam de toneladas e mais toneladas de querosene de aviação. Aliás uma das presas era brasileira e voltou toda toda em um voo comercial, indo embora do aeroporto de carro. Se não houvesse consumidores do petróleo sua exploração no ártico ficaria sem sentido. Isso jamais teria ocorrido se isso não fosse pura pilantragem para arrecadar dinheiro (por que um grupo ecologista ou ambientalista precisa de patrocinadores e só há patrocinadores bons se houver ações que chamem a atenção).
      E seria somente a exploração no ártico potencialmente perigosa? Por que não querer impedir a exploração no Mar do Norte e no Golfo do México?
      Será por que aí estaremos brigando com produtores europeus e estadunidenses?
      OK. vamos impedir a exploração no ártico, mas, primeiro, vamos parar a do Mar do Norte e a do Golfo do México!
      Hummm....
      Está entendendo a lógica?
      Russos produzindo petróleo fortalece a economia Russa e ajuda a distribuir o poder geopolítico (energia é o que move o mundo, quem detém energia, detém poder), quanto menos eles produzirem maior será o poder nas mãos de outras nações e mais suscetível aos caprichos de financistas internacionais estarão os russos. Além do que as reservas do ártico poderiam ser exploradas por empresas europeias e estadunidenses. Se os russos as explorarem serão eles a lucrar.
      Ecológicos esses ambientalistas, não é mesmo?
      Ah, mas vazamento de petróleo no mar causa desastres ambientais... Verdade. Causa. Por isso é preciso todo o cuidado nesse tipo de atividade. Uma plataforma de extração não é um lugar para baderneiros ou gente querendo aparecer na mídia, por isso a prisão de quem tenta causar um desastre material ou ambiental é mais que justificada. Por outro lado, se realmente abdicarmos da produção oceânica de petróleo a economia mundial colapsa. O preço dos combustíveis irá à estratosfera. E não vai haver combustível pra mover o barco desses ecologistas e a passagem de avião será uma exorbitância.
      Poxa, mas eles não citaram essas consequências, diria você.
      De fato, as consequências daquilo que defendem eles omitem. Por que será?
      E o discurso "cola", afinal, para quem você estaria mais propenso a dar dinheiro para contribuir? Para alguém que diz que um vilão lá no fim do mundo é o responsável por causar problemas no planeta em que você vive podendo afetar sua vida ou para alguém que mostra que você é o culpado pelos problemas que afetam nosso planeta?

      O que sustenta esse "eco-show midiático" pseudo-ambientalista é a alegação que o responsável pelos males que afligem a todos é outra pessoa. Eles gostam de arrumar vilões para onde você possa apontar seu dedo ou tacar sua pedra. Acabem com aqueles lá e estarão ajudando a preservar o planeta para as futuras gerações... é o discurso que acéfalos seguem sem questionar. Mas... Espera aí! Se o camarada lá no fim do mundo está produzindo petróleo é por que eu estou consumindo ele. E se eu não consumir eles lá não terão dinheiro para fazer nada.
      Ah, então o problema sou eu, não eles.
      Exatamente! O problema da indústria do petróleo não está na indústria, está no consumidor. Se o consumo reduzir, se usarmos fontes alternativas de energia, de transporte, então ficará caro demais explorar petróleo no mar. Ecologistas e ambientalistas sérios apoiam essa ideia: temos que reduzir o consumo de derivados de petróleo, reciclar e usar fontes alternativas de energia. E não ficar fazendo demagogia politicamente orientada para faturar um extra de patrocinadores.

      Todos reclamam dos produtos chineses que empesteiam os mercados do mundo, produtos de qualidade duvidosa feitos por mão de obra praticamente escrava, porém poucos são os que têm uma atitude consciente de evitar tais produtos. Quando compro um produto chinês estou ajudando a aumentar a quantidade de lixo no planeta, apoiando um regime no qual as liberdades individuais são coibidas e incentivando a prática de um trabalho quase que escravo.
      Quem está fazendo errado, então? Serão os chineses ou serei eu?
      Erra quem tem a consciência do erro!
      Um grupo ambientalista sério defenderia um significativo aumento do preço dos combustíveis ou, até, um imposto internacional sobre a produção de petróleo, imposto esse que seria revertido em campanhas de erradicação da fome, do analfabetismo, de doenças, no mundo. E você conhece alguma ONG que defenda isso?
Se os combustíveis fossem mais caros seriam menos usados. Por exemplo, se o litro da gasolina custasse dez vezes mais que o preço atual você acha que haveria tantos carros nas ruas?
      Isso resolveria até o problema de congestionamentos e da qualidade do ar.
      Ah, mas resolver o problema não é o que querem! Eles querem são doações.
      Você pode dizer agora: poxa, péra lá, você escreveu que se abandonássemos a produção oceânica de petróleo os preços subiriam demais e a economia internacional colapsaria e agora defende que o preço aumente? Isso não quebra a economia?
      Um aumento controlado não, por que não estou falando em acabar com a oferta. Se pararmos a produção oceânica não haverá derivados para atender à demanda mundial, se somente subirmos o preço dos derivados o que restringiremos será o consumo e, principalmente, incentivaremos opções alternativas de energia.

A destruição do Planeta num Reality-Show de segunda.

      Há um programa no canal de tv à cabo History chamado AXMen. Programa esse que retrata a vida de madeireiros que destroem florestas no Alasca e em outros lugares, aliás, ser exibido em um canal como o History é até interessante por que o slogan do programa poderia bem ser "Ax Men - Transformando florestas em história" ou ainda "Ax Men - Devastando o planeta enquanto é possível". Pois bem, não vejo grupos como SOS Mata-Atlântica, Green Peace ou qualquer outro fazendo campanha contra esse programa absurdo. Ao invés de combaterem a destruição das florestas fazem vistas grossas.
      Aí te pergunto: quando eles fazem celeuma pela destruição das florestas no Brasil eles estão sendo sérios ou estão somente defendendo os interesses comerciais dos agricultores de outros países que não querem nos ver produzindo mais? Agricultores estes que aliás, patrocinam diversos fundos que contribuem com esse tipo de ONG.
      Não que eu, pessoalmente, seja a favor da destruição de florestas, absolutamente! Sou a favor da preservação das florestas tanto no Brasil quanto no Alasca ou em qualquer outra parte do mundo! Ademais acho criminosa a criação e exibição de uma série como a AXMen. Mas sei que a indústria madeireira nos EUA patrocina muita gente por aí. Daí ninguém fala nada

Não seja idiota você também, o mundo já está cheio deles.

      Há muitas campanhas estranhas tidas como ambientalmente responsáveis, por exemplo, aquelas contrárias às sacolas plásticas e, de fato, os resíduos de sacolas plásticas estão empesteando o planeta, no entanto vamos analisar o problema em todas as suas partes: Uma sacola reutilizável consome mais produtos químicos, recursos naturais, energia e água para ser produzida que uma simples sacola descartável, por outro lado a sacola descartável pode ser reciclada em roupas ou, de modo mais simples, como contendores para lixo. Se você não usar uma sacolinha descartável usará um saco plástico que precisará de recursos naturais, energia e água para ser produzido, ou seja, pensa estar protegendo o meio-ambiente por um lado mas, de fato, o prejudica por outro, no final o prejudica muito mais.
      Então o problema das sacolas plásticas não está relacionado aos recursos naturais usados na sua confecção ou seu processo fabril e sim seu descarte que causa sério impacto ambiental. E aí é que está: seria realmente as sacolinhas uma praga?

      Governos adoram passar a responsabilidade de uma atuação séria e técnica, que nunca têm, para a sociedade, protegendo, assim, sua notória incompetência. A maioria das sacolas descartáveis é confeccionada em polietileno, material que pode ser convertido em combustível de automóvel, em fibras sintéticas para roupas, brinquedos, enfim um amplo leque de usos, entretanto devido à pequena quantidade de material por sacola sua reciclagem torna-se inviável economicamente. Veja bem: economicamente e não tecnicamente. Ou seja, do ponto de vista técnico é plenamente possível reciclar as sacolas descartáveis, o que conta, neste caso é o custo do processo em relação ao valor final de seu produto, e é aí que entra a ação dos consumidores e, principalmente, governos. O incentivo à produção de sacolas a partir de garrafas PET e o incentivo à reciclagem das sacolas plásticas, onerando mais incisivamente a cadeia produtiva que usa plásticos virgens, ajudaria a equacionar o problema ambiental.

      O descarte irresponsável em praias, rios e locais inadequados realmente é terrível, mas a culpa é da sacolinha ou do energúmeno que a descarta irresponsavelmente? Nesse caso o que interessaria não é a criação de leis punindo com rigor quem despreza as sacolas de forma inapropriada e danosa ao meio-ambiente?

      Isso de querer simplesmente proibir a distribuição de sacolinhas não apenas é ridículo como quem defende essa proibição mostra o quão falto em inteligência é. Campanhas de conscientização, leis mais severas e fiscalização adequada, além de impostos mais expressivos sobre plásticos virgens bastam para tornar esse suposto problema em um outro ponto ignorado da cadeia comercial. Dano pior que o das sacolas plásticas causaria o descarte de açúcar refinado na natureza, ou de café. Aí alguém sustentaria a proibição da venda de café e açúcar?

      Segue essa linha outra inglória causa ambiental: o banimento do uso do papel. Há muita gente "ingênua" que é contra o uso de papel por que para se fazer papel se destrói árvores. E é verdade. Tanto quanto o é a destruição de incontáveis plantas para se fazer salada. As árvores que são destruídas foram plantadas e cultivadas para fazer o papel e, mais importante, árvores essas que nasceram e cresceram, sequestrando o carbono atmosférico e transformando-o em madeira que, depois, virará o papel. Ou seja, cada folha de papel que você vê contém vários gramas de carbono retirado da atmosfera, ajudou a limpá-la, a combater o efeito estufa. É importante frisar que as árvores prestam para o sequestro de carbono apenas quando se desenvolvem, crescem, depois de formadas a quantidade de carbono que absorvem é praticamente igual ao que restituem à atmosfera, seja pela respiração seja pela decomposição das folhas mortas.

      Opa, mas se o papel ajuda a combater o efeito estufa por que há pessoas contra seu uso?

      Ao estudarmos a problemática da questão a resposta salta aos olhos. O papel usado pode ser reciclado, com grande dispêndio de água, ou ser transformado, em biodigestores em gás natural e adubo, neste caso sem desperdiçar água, aliás, gerando energia, ao invés de a consumir e sem precisar de produtos químicos como soda cáustica e peróxido de hidrogênio. Por isso o papel reciclado, na verdade, é extremamente mais danoso ao meio ambiente que papel virgem.
      Dados da Bracelpa, Associação Brasileira de Celulose e Papel, (2012) indicam que para a produção de uma tonelada de papel reciclado no Brasil desperdiça-se 1.500 litros de água a mais que o papel virgem, isso por que, em nosso país, na produção do papel reciclado somente 25% do papel provêm de aparas pós-consumo, 50% da carga de celulose é virgem. Em outras palavras, o assim chamado papel reciclado, na verdade, contém apenas uma quarta parte de papel reciclado e, mesmo assim, consome 18% a mais de água para ser produzido, além de gastar mais energia e produtos químicos altamente tóxicos. Se fossemos usar 100% de aparas pós-consumo gastar-se-ia quase 653% a mais de água, ou 64 metros cúbicos por tonelada, ao invés dos 8,5 m³!
      Qual a parte ambientalmente boa desse processo?
      Se houver alguma, sinceramente, eu desconheço.
      Por outro lado destinar os resíduos de papel, e outros resíduos orgânicos, à biodigestores transformaria o lixo em energia, gás, e adubo de qualidade que pode ser empregado tanto no campo quanto nas cidades, em canteiros, praças e jardins. O que se costuma alegar é que o aproveitamento pela indústria de papel usado traz maior valor econômico à cadeia, ademais as áreas disponíveis para cultivo das árvores é limitada, e elas demoram a crescer, destarte é mais conveniente reciclar a matéria prima do que plantar árvores.     ... Hummm ...     Está percebendo quem é que ganha com o papel reciclado?
      O custo de plantações de árvores é altíssimo, economicamente problemático, então as empresas preferem reciclar, mesmo que isso implique no desperdício de um colossal volume de água, energia e produtos químicos extremamente tóxicos, incluindo metais pesados.

      E você, consumidor, quer ajudar a indústria a baixar seus custos de produção ou ao planeta?

      Em suma, cuidar do ambiente quando interesses econômicos manipulam a verdade e tantos aproveitadores resolvem ganhar em cima disso torna-se uma tarefa delicada e complexa, entretanto cada um de nós é responsável pelo mundo em que vivemos e no estado em que ele se encontra. Buscar alternativas de menor impacto ao ambiente como o papel virgem e o uso de sacolas plásticas descartáveis ao invés do que a indústria quer, defender testes de novos fármacos para termos segurança ao usá-los, reduzir o consumo de derivados de petróleo, principalmente combustíveis, tudo isso coopera para um mundo melhor, mas isso é insuficiente se permitirmos que vigaristas e eco-idiotas continuem propalando mentiras patrocinadas por uma indústria vil que ambiciona acima de tudo o lucro, sem pesar as consequências. O que importa a eles é o resultado financeiro aos acionistas, o dano ambiental que causam é mais barato que a responsabilidade ambiental que deviam ter. Então, se governos, muitas vezes corruptos, e ONGs de aluguel fazem o jogo deles nós, a sociedade esclarecida e que pensa, temos que forçá-los usando o único poder que realmente temem: o do consumo.