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A Farsa da Inflação

Os Mitos e as Verdades
[Escrito em 2004]


Programar, amigo, é lidar com números, é saber como eles trabalham e quais as consequências concretas desse trabalho, por isso, e por também trabalhar na área administrativa, gostaria de mostrar-lhes os fatos reais sobre a inflação no Brasil para que você compreenda a enorme falácia dos argumentos que ditos "especialistas" costumam usar e a verdade escondida atrás dos confusos fatos da economia brasileira e mundial.


A Bola de Neve


Primeiro é preciso lembrar que uma boa parte da dita inflação no Brasil é originária dos preços controlados pelo governo e de insumos básicos (impostos, luz, água, telefone, etc.), o detalhe que devemos notar é que esses preços são "indexados", ou seja, todo ano são reajustados de acordo com a inflação do ano anterior, assim se importa parte da inflação de um ano para o novo ano, como uma bola de neve. O primeiro erro crasso que existe neste método absurdo de indexação dos contratos com base em inflação do ano anterior para enriquecer a uns poucos podemos observar ponderando o seguinte: tomemos por exemplo a energia elétrica, mais de 90% dela, no Brasil, é gerada por hidroelétricas, assim, a matéria prima básica tem custo zero. O preço da energia é formado, descontados impostos, em mais de 80% pela folha de pagamento de funcionários e menos de 20% pelo custo de peças de reposição e manutenção de equipamentos. Bom, a lógica correta de reajuste seria: o índice de aumento dos salários entra como 80% do reajuste da tarifa e a dos equipamentos, com base no câmbio (considerando que todos fossem importados), com peso de 20%.

Esse é um cálculo bem óbvio e é o que seria certo, não indexaria inflação passada e estaria justo com as regras de mercado, não é mesmo? Por que será que não é assim?

Os impostos, em outro exemplo, só deveriam ser baseados no índice de reajuste que os funcionários públicos possuem, talvez até com 1 ou 2% de peso de fator cambial, mas, o "estado", basicamente deve prover segurança, saúde, educação, regulamentação e fiscalização, tarefas em cujo peso do recurso humano é massivo, por isso que o aumento de impostos só seria justificado na exata proporção do reajuste que os funcionários públicos tivessem.

Claro que cerca de 40% das receitas dos impostos são para investimentos, pagamento dos juros, etc. mas, mesmo assim, essa parte não precisa ser cambial já que se refere a investimentos feitos no país, por isso pode seguir o índice de aumento dado ao servidor ou nem sofrer aumento percentual algum.

Por que será que os impostos aumentam todo o ano e o servidor público fica anos sem receber qualquer reajuste?

E esses aumentos de impostos em um ano são baseados no "crescimento da inflação" do ano anterior e vão ser "peso" considerável no índice da inflação do ano, ou seja, vão influir diretamente também no índice de reajuste no ano seguinte! O que é ridículo, absurdo, mas é assim mesmo! Por quê?


O Problema que nuca existiu


Minha irmã recebeu um email com um "problema matemático" que ela julgava interessante e veio me perguntar sobre onde estava o "Real perdido". O problema era o seguinte: três clientes foram almoçar num restaurante como de hábito e todos pagaram R$ 10. A dona do restaurante, por serem clientes antigos e virem todos os dias, resolveu premiá-los com um desconto e cobrou R$ 25. O garçom, por sua vez, foi "esperto" e ficou com R$2 devolvendo para os clientes R$ 3. Assim cada cliente pagou R$ 9. O problema é o seguinte: se cada cliente pagou nove reais, R$ 27 ao todo (3x R$ 9), e o garçom pegou R$ 2,00 (27,00 + 2,00 = R$ 29,00), onde foi parar o R$ 1 que resta para ficar no valor inicial de R$ 30?

Será que sumiu um Real ou seria este um problema incorreto?

Quando minha irmã me disse isso eu pensei: não há lógica alguma nesse problema. Veja: Os clientes pagaram R$ 30 e tiveram devolvidos R$ 3. Então pagaram, de fato, R$ 27. A conta ficou em R$ 25 e o garçom "embolsou" R$ 2,00 -> 25 + 2 = R$ 27,00, ou seja, exatamente o que pagaram. Não sumiu real algum.
O jeito de "pensar" o problema é que estava errado, por que não foi 27 + 2 e sim 25 + 2. O graçom embolsou sobre o desconto havido e não além do que foi pago.

É dessa forma errada que também são pensados os juros e sua correspondência com a inflação.


Juros - o ladrão que gera inflação


Para entendermos o que gera inflação primeiro precisamos saber o que ela realmente é: A inflação, na sua acepção correta, significa expansão da base monetária.
O dinheiro é um bem de troca, se você o observar desta maneira conseguirá perceber toda a farsa que é divulgada diariamente inclusive por "renomados" especialistas. Para ajudá-lo a entender isso vamos a um exemplo simples: Suponha que um país gere $1.000 em bens e serviços e possua $ 1.000 e dinheiro. Temos uma relação 1 para 1 (1:1), assim, se o país produzir mais sem que a base monetária se expanda isso gerará uma deflação (por que não haverá suficiente dinheiro para comprar os produtos e serviços se os preços se mantiverem) e, se a base monetária se expandir, sem que haja correspondente aumento de produção, teremos a inflação (por que não há suficientes produtos/serviços para o capital disponível se mantidos os preços).

Uma coisa que você pode pensar (ou que os economistas querem fazer crer) é que os financiamentos geram inflação por que "criam" um capital na economia que não existe na realidade (pressionando a demanda). Isto, porém, não é verdade! Quando uma pessoa pega um financiamento ou empréstimo recebe de alguém "que possui esse dinheiro" para gastá-lo e se compromete a devolvê-lo, porém, com juros. Voltando ao nosso exemplo: se os $ 1.000 de nosso país hipotético tivesse nas mãos de um banco e a população, para comprar os $ 1.000 de produtos e serviços pegassem esse valor emprestado não haveria inflação, mas, se o banco cobrar 6% ao ano de juros então teremos na economia os $1.000 de produção e, ao final de 1 ano, $ 1.060 (os $ 1.000 e os $ 60,00 dos juros), ou seja, inflação!

Se o juro alto é o principal motor inflacionário de uma economia por que é empregado, mundo afora, para controlar a inflação?

Primeiro: não é empregado para controlar a inflação, já que ele gera inflação, é empregado para controlar o consumo, reduzindo pressão para aumento de preços e é fácil entender por que.

São poucos os que possuem muito dinheiro e muitos possuem pouco dinheiro, quando você aumenta o juro faz com que poucos recebam o "valor" que havia no dinheiro de muitos (é um jeito de roubar a população concentrando renda). Veja: Suponha que meu país seja habitado por 101 pessoas e eu tenho $ 1.000 e as cem outras pessoas tem $10, nossa economia tem $ 2.000, certo?

Meu "governo bonzinho" decide pagar 10% de juros a.a. (ao ano) pelo meu dinheiro, esse juro é coberto pelos impostos que ele extorque da população que continuará recebendo seus $ 10. Eu passarei a ter, ao final de um ano $ 1.100. A economia de meu país conta agora com uma base monetária de $ 2.100, ou seja, houve inflação de 5% mas os preços não irão subir. Por quê? Por que o valor do dinheiro que os demais habitantes do país possui caiu! E foi parar onde? No meu bolso!

O Brasil tem, devido aos seus juros, o maior programa de concentração de renda do mundo!

O juro é uma forma de roubar o valor do dinheiro que a população tem e colocá-lo na mão dos credores! Gera-se inflação, porém sem aumento de preços. O governo costuma dizer que não há imposto pior que a inflação, o juro é um imposto igual removendo o valor do dinheiro do mesmo jeito (trocou-se uma inflação de 6% (não indexada) que o país possuía anteriormente por juros (superiores a 15%). Claro que, se houver uma redistribuição de renda, essa inflação "retida" nas mãos de poucos poderá ser uma bomba que explodirá os preços da economia, mas isto é relativo (as indústrias também não podem exceder demais os preços por causa da concorrência internacional).

Segundo: Os juros no Brasil são inflacionados! Enquanto se empregam taxas de juros em outros países independente de perspectivas de inflação, aqui no Brasil se empregam juros sobre a "previsão de inflação".

Ou seja, se é prevista uma inflação de 5%, põe-se a taxa mais essa previsão!

Por que há tanto roubo contra a população?

Quem são os homens do COPOM (Comitê de Política Monetária)?

Pessoas do (ou ligadas ao) mercado financeiro que tem altos lucros com esses juros. São raposas tomando conta do galinheiro. Essa é a razão de todos esses porquês ao longo deste artigo!

As pessoas que governam ou decidem sobre os preços neste país se locupletam com generosas gorjetas ou diretamente pelas ações adotadas, mantendo todo um país refém e uma mídia apatetada repetindo chavões sem base na real lógica de funcionamento das coisas.

Alguns dizem ainda que o país precisa pagar elevados juros por que se o dinheiro de investidores "for embora" o país quebra. Ora, amigo, vejamos uma coisa: Você concorda que 10% de juros significam que o país pagará ao investidor um décimo do capital que ele está investido? Se o país pode DAR para os investidores mais de um décimo de todo o capital investido, por ano, não seria mais lógico, correto e justo, eliminar esse décimo da dívida anualmente? Não há falta de dinheiro para reembolsar em mais de 10% ao ano os credores de toda a dívida governamental então por que haveria se parte desses financiadores fosse embora? O país já pagou taxas de juros superiores a 20% lembra? (Isso equivale a 1/5 da dívida!) Então por que não ir eliminando, 10% ou mais das dívidas, pagando um juros de apenas 4% ou 6% que seria o civilizado?


Como vencer? Convencendo!


Nós, a população, somos roubados e aviltados em nossa inteligência com esses aumentos escorchantes de juros que freiam a cadeia produtiva em favor de meia dúzia de credores (e gerando inflação), sob o pretexto de conter uma inflação que é indexada e realimentada nas próprias bases do governo, ou seja, os preços controlados direta ou indiretamente pelo governo respondem quase que totalmente pela inflação gerada. Enquanto esse ciclo vicioso não for rompido, enquanto os homens e mulheres de inteligência neste país não arregaçarem suas mangas e começarem a exigir respeito e principalmente, lutarem contra o roubo do valor de suas economias a inflação existirá e nossa economia continuará a crescer em ritmo vergonhoso, dependendo sempre dos humores da economia internacional e, principalmente, do espírito de luta e sobrevivência de verdadeiro heróis nacionais: os empresários.