Copyright by: Ricardo C. Zímmerl' - Todos os direitos reservados.
A cópia de todo ou parte deste artigo só é permitida com a citação expressa do autor e fonte.
www.ITABRA.com

Hackers, Arackers e Babackers
[Escrito em 2002 publicado na revista PCExpert nº40 da qual foi destaque de capa]


Permita-me fazer uma rápida apresentação minha para que você possa entender melhor esse texto. Em 1988, fiz um curso de programação - áureo tempo, povoado pelo MSX, TK90 e pelo bom e velho Atari. Contudo, minha primeira "experiência digital" foi ainda garoto, na casa de uma tia, onde pude jogar um "Tele-jogo". Fiquei maravilhado e imaginava como aquilo era possível?

Trabalhei como técnico de eletrônica por 10 anos, sempre gostei de tecnologia. Entender como as coisas funcionam, testar suas possibilidades, limites e falhas (um dos meus passatempos favoritos, admito, é quebrar sistemas de segurança de softwares). Adoro ler os artigos técnicos de sites interessantes como o FAQs.org e outros. Sob estes aspectos, sou o que você poderia chamar de "hacker", mas não me sinto um. O verdadeiro hacker não é um desses sujeitinhos afiliados a autodenominados "clãs hackers", nem fica invadindo computadores alheios, criando vírus ou outras besteiras do tipo. Um hacker de verdade é um "viciado" em tecnologia, em informação, (nesse aspecto eu não sou um hacker, pois, apenas gosto do meu trabalho de programação, não sou "viciado") independentemente de sua ideologia.

Ideologia sim! Embora os hackers sejam normalmente pessoas solitárias ou deixem seu "hackerismo" para si mesmos, pois o prazer tecnológico geralmente é algo muito íntimo e pessoal, geralmente têm opiniões muito claras em relação ao conhecimento, à liberdade da divulgação, às ações de corporações e empresas de informática que, muitas vezes, pegam o conhecimento gerado por outros e os mascaram em seus produtos, colocando-os depois sob "Leis de direito autorais" e códigos-fonte fechados.

A política que esse indivíduo tem em relação à informação geralmente é bem clara e se expressa em suas ações. Todos os que gostam de informática são, em algum grau, um pouco hackers, ou "fuçadores", e muitos, especialmente os jovens, de alguma forma, gostam de poder contribuir com a liberdade e com a sociedade.

Mas existem aqueles que "se consideram" hackers. Nessa categoria existem os "arackers" e "babackers". Aracker é aquele indivíduo que visita sitezinhos ditos de "hackers", como o www.hackers.com ou o www.astalavista.com, à procura de "brinquedos" como o NetBus, BackOrifice e outras besteiras do tipo, "Receitas de bolo", como um "Manual de invasão por IP" ou "Roubando senhas do servidor". Esses, em geral, adoram fazer parte de "clãs hackers", se sentem "elite", não costumam partilhar seu conhecimento (mesmo porque não têm realmente nenhum, só o que obtiveram das receitinhas prontas) e adoram chamar todos os outros de "lammers".

Os babackers são aqueles idiotas que gostam de passar suas noites inúteis vasculhando a rede com rastreadores de IP, atrás de algum computador que tenha portas abertas ou servidores de trojan instalados, para "zoar" ou simplesmente bisbilhotar o computador alheio.

Em vez de saírem com alguma garota, lerem um bom livro - talvez até de informática - para poderem aprender um pouco, preferem tentar infernizar alguém, afinal, só assim se sentem completos, se sentem "homens" (Freud deve explicar), ainda que sempre sejam covardes a ponto de buscar o anonimato que a Internet propicia. Fariam melhor se pulassem de um prédio (assim pelo menos ajudariam a manter o mundo limpo). Já ouvi dizer muitas vezes por aí que os "hackers brasileiros são os melhores do mundo". É interessante notar que esses brinquedinhos de invasão são sempre feitos por americanos ou europeus. Eles (os arackers e babackers) costumam achar que pegar senha de e-mail ou alterar um site na Internet é ser "o bom", "o tal", enfim, é "coisa de brasileiro", mesmo.

Também há o charlatão, o chamado "hacker do bem", ou "Flanelinha digital" ( igual os guardadores de carro na rua ) que é aquele indivíduo que usa alguma técnica (ou softwares tipo Exploit) obtida em um sitezinho "hacker", tenta invadir um site e, quando consegue, vende seus "serviços amigos" ao dono do site. É como um técnico de eletrônica que vem na sua casa, queima o fusível do seu televisor e depois se propõe a consertar (claro, por uma módica quantia e até pagamento facilitado). São tipos como esses que deveriam ser combatidos veementemente.

Os "coders" (criadores) de vírus de computador - e convenhamos que muitos trabalham para empresas de antivírus (ainda que indiretamente) - são outro grupo de imbecis digitais, afinal, criar um programa cujo propósito é causar estrago, prejuízo e até perda de vidas humanas é prova inequívoca de que o conhecimento, em um lugar onde não há qualquer vestígio de inteligência, pode ser daninho.

Alguns dizem que criar vírus é divertido. Pois bem, pode ser algo desafiador criar um sistema que consiga superar defesas de redes, etc. Algo que se espalhe por todo o mundo, mas, por que isso deve causar estrago? Por que não, apenas, se multiplicar, deixando uma marca indicativa do sucesso - como a alteração do texto do botão "Iniciar" ou uma mensagem na inicialização do Windows ou de outro sistema operacional?

É verdade que alguns vírus são inócuos, mas a maioria não o é. Não creio que você, leitor deste artigo, se enquadre como charlatão, babacker ou aracker - eles têm sites mais apropriados! Mas creio que você, como eu, é alguém que gosta da tecnologia, que se fascina pela mais humana de todas as ciências, embora seja tida como exata. Isso mesmo: a mais humana, pois todos os softwares, antes de existirem, foram pensados pela mente de alguém. Todos os programas de computador são produtos do pensamento humano, expresso através de algoritmos e fórmulas para que o computador os execute - é por isso que possuem tantos bugs! (rs) Produto de pessoas que, como eu, procuram fazer essa máquina gerar divertimento, produtividade, segurança ou conforto.

Portanto, não procure entender esse texto como ofensivo, na realidade, o que quero dizer a você, que gosta de tecnologia, que até pode ambicionar ser um grande hacker, é que, na verdade, um hacker é uma pessoa normal, que não procura fazer mal aos demais, que muitas vezes luta contra aqueles que tentam se apropriar do conhecimento humano e vendê-lo por aí. O hacker é alguém que ama a tecnologia, talvez por ser a expressão máxima daquilo que, até onde sabemos, só nós humanos somos dotados: inteligência e criatividade. A você, que realmente busca o conhecimento e a verdade, eis alguns "verdadeiros sites hackers", onde é possível encontrar verdadeira informação: